terça-feira, 15 de março de 2011

SOU A ÚNICA MULHER QUE....

Sou a única mulher que não emagreceu durante a amamentação!

Bom, todo mundo que acompanhou minha gravidez sabe que engordei apenas 9 kg durante a gestação. Fiz esporte até o final,me controlei na comida, e sempre ouvia das minhas amigas: "Menina, você vai secar quando amamentar!". No parto, perdi cinco dos nove kg ganhos durante a gravidez. Fiquei super empolgada, porque pensei: "Oba, logo vou entrar nas minhas calças!". Mas não foi bem assim que aconteceu.

Alguma coisa no meu metabolismo deu um click e acho que ele desacelerou total. Durante a quarentena, nem podia, nem conseguia fazer exercícios: primeiro por causa da cicatraização da cesárea, depois, porque a Duda consumia tanto, que eu só queria saber de comer e dormir. Mesmo neste período, uns 15 dias após o parto, passei com meu nutri, ele me fez um cardápio, me explicou que eu não podia fazer dieta, mas que também não podia apavorar. Meu GO havia me explicado que a produção de leite gasta em média umas 800 calorias, então, na minha cabeça, estava sossegada, porque a tal produção queimaria mais que a corrida!

Só que, depois dos 40 dias, quando passei com o GO pra ele me dar alta, quando me pesei, quase caí dura para trás! Dos 5kg que perdi no parto, engordei 4!!! Ou seja, estava quase com o mesmo peso de quando estava grávida, sem estar! Fiquei louca!!! Algumas pessoas me acham neurótica, maluca, mas, só quem já foi gordinho é que sabe o sacrifício que é para emagrecer! E já fui uma gordinha, com 12 kg acima do meu peso! E, de verdade, não quero voltar a ser assim!

A gota d'água, foi sexta passada, quando participei do programa Vamos Correr da ESPN. Quando me vi na TV, quase tive um treco!!!!! Que cara de bolacha! Quando me filmaram correndo e vi a imagem,  tive a certeza que estava na hora de dar um BASTA nisso! rsrsrsrs Se meu metabolismo não ajuda, vou ajudá-lo então!

Sempre fui muito disciplinada desde que comecei a fazer reeducação alimentar. Quando emagreci os 12kg, fiz Vigilantes do peso, e acho que toda aquela história de você ir à reunião, dizer quanto emagreceu, ou se não emagreceu contar o porquê, funciona muito. Por isso, vou usar o blog para desabafar a respeito das dificuldades, dos "furos", dos progressos, até que eu volte ao meu peso normal!

Já voltei a correr - de leve, mas com a assesssoria- , mas sei que o que vai me emagrecer não é a corrida, mas sim caminhadas ou trotinhos onde a frequencia fique baixa. Fazer isso com a Duda,sem babá, não vai ser fácil ,mas tenho o Fabio que me apóia pra caramba e me ajuda no que eu precisar. Musculação ainda não posso, então, estou indo pro Pilates duas vezes por semana.

Então vamos lá...Disciplina na alimentação, nos exercícios, procurar dormir quando a pequena dormir, porque isso é muito importante pra repor as energias gastas nos exercícios e produzir leite.

Hoje,  dia 11 de março de 2011 é o início. Estou com 68kg e a meta é voltar pros meus 60kg. E o projeto que criei foi o "QUERO MINHAS CALÇAS DE VOLTA!" kkkkkkkkkkkkkkkkk.

Para vocês verem que não estou mentindo: essa foto abaixo, era a que eu mantive pregada na minha geladeira por muito tempo. Na foto da esquerda, era 12 kg mais gorda. Baladeira e "cachaceira"! kkkkkkkkk. Talvez não dê para notar tanto, porque sou alta, mas era isso. Na foto da direita, depois da reeducação alimentar, de mudança de hábitos de vida! Nunca deixei de sair, mas incluí hábitos saudáveis como a corrida e deixei de lado o "vício" de sair de quarta a domingo na balada!




Vou fazer uma página com as fotos a partir de agora. Não me chamo Déborah se minha barriga não voltar a ser o que era antes!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

quarta-feira, 9 de março de 2011

MAMIS VAI EMBORA....

Quando a Duda nasceu,minha mãe chegou no outro dia. Na primeira semana foi uma confusão ,pois ainda estávamos no hospital, estavam ela e meus sogros aqui, aquele monte de visitas, enfim, só fui perceber o que era a rotina de estar com um bebê em casa, quando tudo isso se acalmou.

Na semana após o nascimento, depois que meus sogros foram embora, minha empregada ainda estava de férias, então ,ficamos eu e minha mãe na loucura de cozinhar, lavar roupa, passar, cuidar da Duda... Essas coisas de casa, mais ela do que eu, porque eu estava completamente a mercê da nenê. Nesses primeiros dias, ela quase não ficava com a netinha, so entrava no quarto, dava bom dia,olhava, sem querer incomodar.

Minha mãe, bem diferente de mim -rsrs- , é a pessoa mais quietinha e discreta do planeta. Acho que por não querer se intrometer, nem atrapalhar, achou que a melhor forma de ajudar num primeiro momento, era fazer as coisas de casa. Depois de 1 semana nessa rotina, ela quase não tinha interagido com a Duda, e o Fabio me disse: "Escuta, você precisa por sua mãe junto da Duda, porque senão, fica parecendo que ela só está aqui para fazer as coisas de casa!".

Ele saiu do quarto e chorei copiosamente! O que eu estava fazendo? Tão absorta na situação nova, que deixei de lado a pessoa mais importante na minha vida, que "abandonou" a rotina dela lá em Brasília pra ficar comigo e com a única neta, e eu sem sentir, não estava deixando que ela participasse do momento que ela, assim como eu, tanto esperou!

Nesse dia, eu a chamei e perguntei se ela não queria trocar a fralda da Duda. Indescritível o brilho nos olhos da minha mãe, pegando a netinha, conversando com ela, e o mais impressionante, como a Duda correspondeu às palavras, ficando calminha, sem chorar.

Desde então, há 2 meses, a interação das duas tem sido uma coisa maravilhosa. Minha mãe é muito calma,fez curso de shantala, pois fazia um trabalho com crianças em Brasília, nas crises de cólica da neta, era ela quem "salvava a lavoura", pois o único lugar onde a pequena parava de chorar era no colo da vovó. Quando ela termina de mamar durante o dia, é no colo da vovó que ela vai arrotar...

Amanhã, ela, depois de 2 meses convivendo diariamente  - como não convivia há 17 anos (que foi quando saí de casa para fazer faculdade) - , está indo embora para Brasília. Às vezes, pela distância de tanto tempo longe, você se acostuma com a ausência de alguém. Nos falamos todos os dias pelo telefone, somos melhores amigas, ela é minha amiga, confidente, conselheira, mas é tão diferente quando estamos juntas... E eu tinha me esquecido disso, porque as visitas eram sempre tão rápidas por causa de trabalho, que não dava tempo de lembrar como era...

Vai ser difícil sem ela aqui. Não pela ajuda, por ficar com a Duda quando preciso ir a um banco, supermercado, mas pela convivência, pelo carinho, pelas conversas, ou mesmo pelo silêncio quando estamos no mesmo ambiente, mas nem precisamos falar nada uma para outra.

A Duda também vai sentir muito a falta do colinho da vovó, da voz calma e doce rezando a Oração do Anjo da Guarda quando ela está com cólica, agitada ou com os olhões arregalados... Sabemos que não é por muito tempo, que logo ela estará aqui para nos visitar, mas de verdade.... tenho uma invejinha branca de quem tem a mãe morando por perto...

Boa viagem mamis e volta logo! We will miss you!


sábado, 26 de fevereiro de 2011

PODEM ME CHAMAR DE DOIDA....

Essa foto no meu facebook, provocou várias reações. Desde gente me mandando mensagem privada dizendo que eu estou louca, até pessoas me dando o maior apoio. Vou contar para vocês o que aconteceu:

A Duda já está dormindo entre uma mamada e outra , em torno de 4 1/2h. No dia anterior fiz as contas, me planejei, deixei meu Garmin carregando, roupa de corrida a postos, para poder dar um trotinho de 45 minutos narua entre uma mamada e outra, antes do fabio ir pro trabalho, pra que ele pudesse ficar com a Duda.

Bom, mas quem é mãe sabe, que querer é uma coisa, mas daí a vcoê fazer, são outros quinhentos. Mas coitada, dessa vez a culpa nem foi dela. Acordei a pituca às 5 para dar o "mama",ela terminou às 5:40, troquei a fralda, 6:00. Ela deu uma resmungada, um gritinho, outro, outro e percebi que ainda estava com fome. Ok. "Marmita" prafora, sentei na cadeira e pus ela no peito de novo. Ela mamou, mamou, como se não houvesse amanhã e acabou às 6:30. A estas alturas, o Fabio já estava se arrumando para sair com o cachorro, e eu não podia deixar a Duda... minha mãe est;a aqui, mas precisamos criar uma rotina sem depender dela, por que imaginem quando ela for embora?!

Ele foi passear com o Nick, tirei a roupa de corrida (já estava toda paramentada),sentei na cama e abri o bocão a chorar. Chorei até o Fabio voltar. Quando ele chegou, com a sua calma e racionalidade de sempre - rsrsrsrs- me propôs que às terças e quintas, pra eu poder correr, ele levanta mais cedo para passear com o cão. Continuei chorando,porque, afinal, aquele dia em si, estaria perdido. E não tem nada mais frustrante do que você achar que vai dar uma corridinha, e nõ poder ir.

Ás 8 dei o "mama" de novo e segui um conselho da @juqcorre :conversei com a duda e pedi a ela só 1 horinha do dia dela. Conversei bastante enquanta amamentava, terminei, montei o carrinho e lá fomos nós para a academia do prédio. Coloquei o carrinho dela do ladinho da esteira, ipod no ouvido e... run!!!

Acreditem vocês ou não, ela ficou exatos 60 minutos quietinha, dormindo. O Zelador furou dois buracos na parede, maior barulheira e ela nem aí!

Corri, liberei minha endorfina necessária para a manutenção do meu bom humor e passei um dia maravilhoso com ela!

Obrigada minha princesa!!!!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

ENDORFININHA... RS

Depois do meu desabafo de ontem - rsrsrsrs- resolvemos aqui em casa, fazer de todos os domingos, o "dia da endorfina de Debs", Necessário, imprescidível, eu diria! Para o meu bom humor, para diminuir a irritação, o cansaço e para o bem das relações em geral! kkkkkk

Durante a semana, estou passeando com a Duda de carrinho, então, uma caminhadinha mais vigorosa já dá um gás. Vamos ver se a partir desta semana, consigo ir ao Ibira para andar com ela. E o Fabio me "deu" o domingo de presente. Como ele não está correndo, combinamos que domingo vamos cedinho pra parque,ela anda com a pequena, e eu troto.

Ontem, no auge do desespero, mandei um e-mail pro meu GO. O que ele me respondeu foi: você pode trotar, de leve, no máximo 6 km, para não comprometer sua produção de leite, e sempre se hidratando muito bem.

Diante disso, hoje cedo, montamos a operação de guerra. Rs. Tudo tem que ser cronometrado por causa do horário da mamada. Então, levantei às 6 para dar o "café-da-manhã" da pituca.Tinha tirado leite ontem, então, depois da mamada, tomamos café, dei na mamadeira mais uns 90ml de leite meu, pra garantir que ela não teria nenhum surto "psicótico" com o Fabio no meio do Ibira, pegamos a tralha toda, o cão e lá fomos nós!

O dia hoje estava especialmente lindo! Céu azul,solzinho, parque cheio já às 8 da manhã. Quando chegamos no parque, arrumamos a Duda no carrinho, cão na coleira, o Fabio foi caminhando com os dois e eu fui pro meu trotinho.

Esses dias atrás, a Liana, uma amiga minha que também teve bebê, voltou a treinar e me disse que tinha até chorado. Dei risada, mas, acreditem, aconteceu o mesmo comigo. Quando comecei a trotar, meu ritmo sossegado de 5'45"/km, batimento elevando, corpo esquentando, respirando um pouquinho de "liberdade", ouvindo um house no ipod ( e olha que não gosto de correr com ipod, mas hoje era necessário!), meus olhos se encheram de lágrima! Como eu sou movida a endorfina! Meu Deus!

Resultado: trote de 6km, uma outra mulher, mais bem humorada, mais paciente, com outro gás pra levar o dia com a pequena.

Hoje faz cinco anos que estou com o Fabio. E disse pra ele: o maior presente que ele poderia ter me dado foram esses domingos. Essas poucas horas,que pra mim, fazem uma tremenda diferença!

Repito aqui o que escrevi para ele hoje cedo no facebook:

"Hoje faz exatos 5 anos que estou com o homem da minha vida. Nesse tempo,nós tivemos tanta coisa juntos, que fica ate dificil enumerar. Descobri um cara maravilhoso,parceiro,que cuida,por tras de um "muro" que achei que não ia conseguir passar. Foram tantas viagens,baladas, corridas, brigas - pq não?!-,risadas,choros,bebedeiras, "re-apaixonando" varias vezes ao longo desse tempo - pq esse e o segredo de uma relacao duradoura-, que tenho hoje nele,alem de meu marido, meu melhor amigo,meu companheiro,meu amante e pai da coisa preciosa que pudemos ter: a Duda. Obrigada bebeh por fazer parte da minha vida! Love u!"

Como ele mesmo diz pra mim: às vezes é bom você falar o que quer,o que te incomoda. Ninguém,por mais que te conheça, tem uma bola de cristal. Ele não podia "adivinhar" simplesmente a minha angústia. Foi eu por pra fora, que um gesto tão simples, atenuou o problema. Não é tão difícil,não é?!

Estou parecendo criança que ganhou doce pela primeira vez!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

ROTINA...O POST DO DESABAFO...

Há dez dias mais ou menos, li no blog da querida Yara Achôa um post muito bem colocado e escrito sobre como a mudança da rotina a que estamos acostumados afeta nossas vidas.

Antes da Duda nascer, minha rotina era de uma pessoa casada, porém,cujo marido compartilha dos mesmos interesses: academia, corrida, malhamos com o mesmo personal, baladas. Todo mundo me dizia qe com a chegada da Duda as coisas iam ficar muito diferentes. Vou confessar a vocês que, durante alguns meses da gravidez, chegamos a ensaiar fazer uma planilha de quem ia fazer o que e em que dia, pra que tudo se encaixasse perfeitamente. Tanto nos horários de treinos, que no começo não poderíamos fazer mais juntos, como nos de trabalho, visto que trabalho muito longe de casa e dois dias na semana atendo até mais tarde, chegando em casa quase sempre depois das 21h. A academia que malhamos, tem um espaço kids, que carinhosamente chamamos de "chiqueirinho", onde as crianças podem ficar a partir dos 3 meses, por um periodo de até duas horas por dia.

Tudo meio que combinado e a Duda nasceu. Obviamente eu sabia que a rotina ia mudar, mas confesso que acho que não estava muito preparada para isso. Eu sou LITERALMENTE movida a endorfina. Sou extremamente agitada, ansiosa, e descarrego tudo isso nos esportes. Pelo fato de ter feito cesárea, sabia que teria que cumprir a quarentena, mas tinha uma certeza absoluta que depois disso, poderia tentar voltar a uma rotina de esportes que me ajudasse a não "surtar".

Mas aí vem o primeiro ponto: mamadas. São a cada 3 horas. Cada uma dura de 35 a 40 minutos. Depois você troca a fralda, põe numa cadeirinha,mas nem sempre, sua filha vai querer dormir.Rs. Ela já está numa fase que quer "conversar", quer atenção, se irrita se você a deixa sozinha. Ou seja, demanda um tempo muito maior que os 60 minutos que você contou no relógio, e, definitivamente, você não vai conseguir sair pra dar uma caminhadinha ou uma corridinha.

Um dia você vai, no outro não. Num dia ela chora, no outro também. Segunda coisa: enquanto isso, a rotina das pessoas à sua volta não muda. Por mais que o marido seja companheiro, como o meu , é a sua rotina, mãe, que vai virar de pernas pro ar. É a falta de tempo pra caminhar, pra fazer a unha, pra ir a um médico, às vezes até para tomar banho que é afetada. São as pequenas coisas que você estava acostumada a fazer, naquele dia,naquele horário, e que, de repente, não há mais espaço para elas.

Sei que é uma fase, que vai passar, como todo mundo que tem filho me diz. mas, para alguém que estava acostumada com a vida tão regradinha como a minha, não tem sido fácil.

E pra você que ainda não foi mãe, como diz uma amiga minha: "Não se iluda. Isso vai acontecer com você também.". Você vai se irritar, vai chorar, vai se sentir exausta, vai ter a sensação de que as coisas não vão melhorar, mas vão.

Olhando para 1 mês atrás, que foi quando a Duda nasceu, ela não dormia mais de 3 horas seguidas. Hoje, ela já dorme 4h, as vezes 4 1/2h. Hoje, as mamadas já são num tempo menor, o que me dá uns 20 minutinhos a mais de sono a noite. Hoje, ela tem as cólicas. mas graças a Deus, tem sido durante o dia. Claro, demanda uma atenção maior, não posso dormir quando ela dorme (porque ela não dorme rs) , mas também sei que,com 3 meses, tudo isso vai melhorar.

Enfim, diante de tudo isso, faço das palavras da Yara no post dela, as minhas: "...vejo como é muito fácil deixar a rotina engolir a vida.". O negócio é saber que isso é uma fase, e que, daqui a pouco, poderei fazer minha planilha de "revezamento" com o Fabio para voltar a treinar, ir a manicure, fazer as coisas triviais.

Ser mãe é uma doação em todos os sentidos. É maravilhoso. E quando choro, me irrito, olho pro rostinho da minha filha e sinto que tenho que aproveitar cada minutinho deste "cansaço", porque vou ter saudades das caretinhas que ela faz, dos biquinhos na hora de mamar... Optamos por não ter babá justamente porque eu queria aproveitar cada segundo ao lado dela, mesmo sabendo que esta poderia ser uma tarefa mais que desgastante. Hoje, sei reconhecer cada choro, cada careta, cada "espremida", cada gritinho que ela dá. E, sinceramente, isso não tem preço.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

AMAMENTANDO....

-TRIMMMM! TRIMMM!!! TRIMMM!!!!


O telefone toca insistentemente. Eu abro os olhos, tudo escuro. “Onde é que eu estou?”, penso eu.

-TRIMMMM! TRIMMM!! TRIMMMM!!

Estico o braço em direção ao som.. “Alô?” , “Sra. Deborah? A Sra. pode vir ao berçário amamentar?”. Cinco segundos de silêncio. “Amamentar?!.. Ah é! A Duda nasceu!”

Assim foi a primeira noite em que a Duda ficou no berçário tomando banho de luz por causa da icterícia. Como eles ficam direto na luz, nós é que temos que ir até lá para amamentá-los.

Lembro que à tarde, quando estavam dando complemento ainda, meu G.O. disse que era para eu aproveitar ao máximo todas as orientações sobre amamentação das enfermeiras do Einstein, porque elas são as melhores nisso.

Pensei com meus botões: “Ok, mas amamentar não é só ter o peito, o leite e o nenê?”. A resposta veio após o toque do telefone.

No corredor, uns calafrios. Começa uma tremedeira. Eu pensei: “Eita, que ar gelado!” E a tremedeira só aumentava. Cheguei no berçário parecendo um João Bobo de tanto que tremia. Comentei com a enfermeira, e ela disse: “Ah! Já é a pojadura!”. Cara de interrogação. “Pojadura?”. Me perguntei algumas vezes se deveria ter me informado mais durante a gravidez! Rs Ela me explicou: “É quando o leite começa a descer!”. Então tá!

Elas já estavam com a Duda no colo, me puseram numa cadeira de amamentar e disseram:”Vamos lá Sra. Deborah. Deixe-me ver o bico do seu peito.”.

E então começou a sessão tortura. Puxa daqui, puxa dali.. “A Sra tem prótese?”, “Tenho”, respondi. Aí mesmo é que ela puxava pra frente, pro lado, pro outro, dava uma risadinha e dizia: “Temos que fazer o bico pra ela ter a ‘pega’ correta”.

Àquelas alturas, eu já não estava entendendo mais nada, porque achei que amamentar fosse a coisa mais simples do mundo. Foi então que comecei a me lembrar das minhas amigas me contando sobre rachaduras no bico dos seios, sangue, que era dolorido, que muitas mulheres desistiam de amamentar porque não era das tarefas mais fáceis e prazerosas.

Então, ela começa a me dar uma aula sobre como pegar a criança: pegada invertida, de cavalinho, deitada, a comum.. aff! Deu nó na cabeça... E pior..com todo aquele sono, cicatriz da cesárea doendo,ter a coordenação motora pra por a Duda no peito, colocar a boquinha dela no lugar certo,esperar a tal pegada...

Quando a enfermeira conseguiu fazer o “tal”bico e a Duda pegou... MEU DEUS! QUE DOR!!!! Achei que fosse ter um treco! Perguntei para a enfermeira se era aquilo mesmo, se aquela pega estava correta, porque estava doendo muito. Ela deu uma risadinha e disse: “A pega da sua filha está ótima! Seja forte, porque neste primeiro mês, cada mamada vai durar uns quarenta minutos e provavelmente, seu bico vai rachar, vai sangrar, mas tenha em mente que vai valer a pena”

E assim se passaram quarenta e cinco minutos. A cena é linda. Ver sua filha tão conectada a você, tão dependente, como se vocês fossem uma só é a coisa mais divina do mundo. Mas a dor é tremenda. Agora posso PENSAR em entender algumas mães que dizem não ter conseguido amamentar. Mesmo assim, vale o sacrifício. Todo o benefício que o leite materno traz para a criança, a imunidade, a saúde, não teria dor que me fizesse desistir disso.

Graças a Deus, tínhamos comprado um creminho bem milagroso nos EUA chamado LANSINOH. Foi a minha salvação, junto com a concha. Porque sim, o bico racha, sangra, faz uma crosta e quando está cicatrizando, lá vem sua rebenta com a ‘pega’, e tira toda a casquinha! Engraçado que esse tipo de coisa, ninguém conta! Só uma ,apenas uma amiga minha, durante a gravidez, ia me dizendo: “Olha, vou te contar algumas coisas que nenhuma mulher conta pra outra durante e pós gravidez!” Por isso, eu já estava semi preparada psicologicamente para algumas situações.

Hoje, um mês depois, amamentar é um prazer. Ela já tem uma velocidade de sucção muito maior, a mamada passou de quarenta e cinco minutos para trinta e cinco, às vezes trinta minutos. É muito bom você ver sua filha se satisfazer com o alimento que você dá para ela, que vem de você única e exclusivamente!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A QUARENTENA....

Antes de engravidar, eu sempre conversava com algumas amigas sobre a quarentena. Minha dúvida era pra que serviam 40 dias sem exercícios, descansando, sem sexo. O mais engraçado é que sempre falava para elas: “ Ah, na minha vez, não vai ter essa de quarentena! Primeiro, quero parto normal, segundo, que, pára, não deve ser tão difícil conciliar as coisas! Sempre fui acostumada a correr, daqui para ali, fazer tudo na maior agitação!”


E quem foi que disse que a partir do momento que você engravida você quer alguma coisa?! Você passa a ser levada pelas circunstâncias que a gravidez te impõe.

No começo, são os enjôos. Se você não os tem, perfeito! Mas se não tem enjôo, pode ter azia. Claro, azia. Aquela queimação que dá quando você bebe até água! Ah! Depois do terceiro mês passa!

O segundo trimestre é o melhor! Não tem enjôo, não tem azia e não tem barriga! Quase como se não estivesse grávida... Mas tem o inchaço.. Tem o sono – pelo menos comigo o sono apareceu nesta época – e algumas crises de choro e mau-humor que você não sabe de onde vem!

E o terceiro trimestre?! Ah!!! Este vem acompanhado da barriga, da falta de ar e de posição pra tudo, do desconforto com o próprio corpo. Mas vem com a expectativa do momento mais esperado: o nascimento. Você fica 9 meses se planejando para ter um parto normal, lê bastante sobre o assunto, conversa com o médico, tem a certeza que será daquela forma e que não precisará cumprir os famigerados 40 dias!!!

Mas claro, como não é você que escolhe, sua filha está sentada!! A sua bolsa estoura, você tem dilatação, mas não pode ter parto normal pela posição da nenên. E lá vai você, para a cesárea.

Momento mágico!! Nasce a nenê, você se encanta, se apaixona, no hospital ela é tão quietinha... Dorme praticamente o tempo todo e as enfermeiras é que a acordam para mamar. “Que bênção!” – pensava eu!

Aí você sai do hospital e vai para casa. Primeira noite: você espera que vai ser como era no hospital. Dá a mamada à meia-noite, põe o despertador para as 3 da madrugada, porque foi assim que te ensinaram. Mas, 01h30min, a babá eletrônica começa a emitir um som estridente na sua orelha. Você demora pra perceber onde está, o que está acontecendo e lembra: “Ah!! Agora eu tenho um bebê!”. Corre pro quarto dela, olha fralda. Está ok. Barriga dura de cólica? Não. Barriga molinha. Tudo certo! Ah! Pode ser fome! Você põe o baby no peito, ela bate cabeça, pra frente, pra trás, se espreme, e, de repente, aquela golfada! O líquido branco, que cheira a coalhada, derrama nela, em você. “Ah! Tudo bem! Depois eu limpo”, você pensa. “O importante é saber por que ela está assim!”. E de repente, 40 minutos depois, como num passe de mágica, ela dorme.

São 3 da manhã. Você volta pra cama, o peito vazando leite, aquele cheiro de coalhada e pensa: “Ah, vou me limpar, porque ninguém merece o marido dormir ao lado de alguém assim!”. Olha pra cama, pensa que daqui há 1 hora o despertador vai tocar, e resolve dormir assim mesmo.

E assim, nessa rotina, passa o 1 mês de vida da sua filha.

E você percebe que atividades antes essenciais, agora viram supérfluas: “escovar os dentes logo que acorda?” Ah! Pra que?; “tomar banho após tomar uma golfada?” Dá uma limpadinha de leve, porque tem mil coisas pra fazer no intervalo das mamadas; “tirar a camisola quando acorda?” Pra que se você vai colocá-la a noite antes de dormir?; “passar um perfume pra receber o marido quando ele chega do trabalho?”ah vá! Seu perfume natural passa a ser “Eau de leitè” ; “sexo?!” Nesses primeiros 40 dias, esqueça! Ou você se imagina de cinta-liga, super sexy, chicotinho na mão, mas com um soutien de amamentar que você não pode tirar porque vaza leite?! Além disso, imagine qual a sua disposição pra isso, depois de uma noite toda sem dormir ou pensando que a qualquer minuto virá um choro do outro quarto clamando por comida?!

Finalmente meninas, eu descobri para que serve a quarentena! Serve para você, sem culpa nenhuma, durante 40 dias, deixar de ser esposa, mulher, pessoa, para virar mãe! O maior e mais abençoado dom concedido a uma mulher!

E uma dica: faça o papai participar. Ele pode não ficar tão cansado como você, mas, se entrar no clima, com certeza vai entender esse período, te ajudar e não te cobrar absolutamente nada!