segunda-feira, 13 de agosto de 2012

DIA DOS PAIS


Papai,

Se eu já soubesse escrever, começaria dizendo que você foi a maior surpresa como pai. Quando eu estava na barriga da mamãe, jamais poderia imaginar que você seria esse paizão.
Desde o nascimento até todas as noites que você nem deixa a mamãe levantar quando eu choro... 
"Papai" foi a primeira palavra que eu falei e quase morro de felicidade todas as noites quando você chega do trabalho.

Amei você ter sido o unico pai presente na reunião da escola. Adorei você ter deixado a teoria do "nana nenê" de lado e me por pra dormir com vocês algumas noites...E eu adoro dormir segurando seu dedo, so pra saber que estou protegida...

Gosto como você me ensina a ser independente, me deixando levar o Nick pra passear na rua, me ensinando como colocar a comida na boca sem fazer "aquela" sujeira que a mamãe que morrer ( rs) , me deixando "lavar" o cabelo na hora do banho!
Eu ainda não converso com as minhas amiguinhas da escola, mas quando eu fizer isso, tenho certeza que vou dizer a elas que você é o melhor pai do mundo...

Tenho muito orgulho de ser sua filha!

Te amo muito!

Duda

Minha mãe mandou esse texto pro Fábio. Achei simplesmente perfeito:


PELOS OLHOS DE MANUELA   (Ricardo Allan)

' Outro dia, ela me disse: "Papai, tá tudo lindo!".  Mirei pela janela
do carro e vi céu azul, grama verde, ipês amarelos e a arquitetura de
Brasília.  Nada que me impressionasse, enfim.  Uma menina de três anos
percebe beleza onde  um adulto enxerga apenas monotonia.  No universo
infinito dos seus sentidos, as coisas têm cor, gosto, som, cheiro  e
tessitura singulares.
Vê-la descobrir a vida e aprender a usar as palavras é um espetáculo
único.  A realidade da minha filha é povoada de fadas, príncipes,
bruxas, deuses, heróis e vilões.  Nela, pedras conversam, vegetais
sentem e animais se emocionam.  As amizades são viscerais.  O
cotidiano é uma sucessão de histórias fantásticas, algumas mais
parecidas com viagens alucinógenas.
Na escala de    evolução intelectual, moral, espiritual e afetiva do
ser humano, as meninas estão no topo, seguidas das mulheres.  Só
depois, vêm os meninos.  Por último, os homens, causadores de quase
todo o flagelo existente.  Quem rouba a inocência de garotinhas,
merece destinos piores do que  morte.
Meninas têm lógica peculiar.  Num dia já longínquo, apressdado, disse
à minha filha que, se demorássemos, não encontraríamos o que era então
seu bem mais precioso.  A pergunta que se seguiu: "Papai, como é que a
chupeta vai fugir se você trancou  porta?"...  Em outra ocasião, ela
me pediu um cavalo de presente.  "Mas, meu amor, onde eu vou pôr um
cavalo?", indaguei.  "Você compra uma fazenda par ele morar lá, ué!".
Claro.
Segundo o ensinamento cristão, só se salva quem tem o coração puro
como o de uma criança.  Sou específio: a redenção está na riqueza de
alma das meninas.  Míope, astigmático e cético, prefiro vr pelos olhos
de Manuela, que deixam tudo mais verdadeiro, até o egoísmo e a
crueldade infantis.  Os meus só conseguem se maravilhar quando pousam
no seu rosto.
As pessoas costumam dizer para um pai estreante qu a vida dele mudará
para sempre.  Em geral, é um alerta para a responsabilidade de
sustentat e orentar alguém.  Depois que Manuela nasceu, de fato,
nuncamas fui o mesmo.  Não pelo peso, que não há.  Mas porque me
apaixonei perdidamente por ela.  Mal consigo conter a ansiedade pela
chegada de Olívia, que vem por aí."

sexta-feira, 20 de julho de 2012

EU, A INSÔNIA E OS PENSAMENTOS...



Tá... 3:07 da manhã e eu aqui parecendo uma coruja... Eu e minha panturrilha  meus pensamentos... Insônia é sinônimo de não estar correndo, pra quem me conhece bem... Na corrida eu extravaso, choro, grito, dou risada, tiro os "bichos"de dentro de mim... daqui a duas horas, vou pra uma ressonância magnética ( coisas que você só consegue em São Paulo!), ver o que está acontecendo... Isso me tira o sono? Sim. Porque tenho uma prova daqui a 80 dias, que será seria a prova da vida, mas que pode estar condenada. Mas isso é um assunto tão, mas tão supérfluo, perto do que tirou meu sono hoje, que fica pra outro, ou talvez, nenhum post.

Meu pai, quando éramos pequenas, sempre dizia uma frase: "Filha, seja honesta e não vai ser rica. Mas pelo menos vai deitar sua cabeça no travesseiro e dormir com a consciência tranquila". Será um defeito você se envolver com os problemas das pessoas que você realmente gosta? Será um defeito, você conviver tanto tempo com um funcionário, acabar se afeiçoando a ele e ficar preocupada com o tipo de problema que você pode causá-lo se demiti-lo, se se desfizer de um negócio? Será que é certo algumas vezes na vida você tomar decisões sendo mais "egoísta", e não pensar na reação em cadeia que vem por trás da sua ação?

Eu acho bem clichê quando estou com um problema e uma pessoa me diz: "Olhe pro lado e você vai ver que tem pessoas em situação bem pior que a sua". Ou pelo menos achava até hoje. Tenho uma funcionária, que hoje veio me contar que o marido perdeu o emprego, ela sempre levou a casa dela "meio que nas costas", mas está cansada, esgotada, que o dinheiro agora só com o emprego dela, não pagam as contas BÁSICAS. Ela me contou que há alguns meses, vem cortando supermercado, comprando só o arroz e feijão, porque senão não tem dinheiro para pagar o aluguel. Ela é uma pessoa super sofrida, tem pouca idade, mas muita experiência de vida, e me corta o coração ver uma menina tão esforçada passando por tudo isso. Qualquer um pode pensar: "Ah, cada um no seu quadrado. Cada quadrado tem seus problemas, você tem os seus, ela tem os dela". Mas será que algum de nós já parou pra se colocar no lugar dessa menina? Será que algum de nós sabe o que é ter que escolher entre pagar o aluguel e por comida na casa? Com certeza, das pessoas do "meu quadrado" não. Podemos até nos colocar no lugar dela, mas SABER efetivamente o que é essa situação, isso não.

Eu convivo, por causa da minha profissão, e pelo monte de gente que conheço, com pessoas de quase todos os "quadrados". Para uns, o "problema do dia" é resolver qual garrafa de vinho vai tomar num jantar de amigos; para outros, resolver qual a sandália vai colocar pra ir ao shopping com as amigas; para outros, o problema é para onde ir nas férias; para outros, é fazer ou não um plano de saúde para não depender mais do SUS; para outros, é escolher um dos filhos que tem o que é mais urgente para fazer na boca, porque não pode pagar para os dois; e para outros é resolver o que vai ser: o aluguel ou a comida?

Eu tomei algumas decisões de vida esse ano. Decisões que não afetam só a mim, mas a pelo menos uma meia dúzia de pessoas. Demorei exatos 15 anos pra tomar coragem e resolver, mas ao longo desse tempo, a quantidade de pessoas que serão afetadas por ela, são muito maiores. Se eu tivesse tomado essa decisão aos 18, seriam apenas duas pessoas: minha mãe e meu pai. E talvez minha vida tivesse sido muito diferente. Talvez eu não morasse em São Paulo, não tivesse o Fábio, não tivesse a Duda, não tivesse na minha vida as "n"pessoas que amo ter ao meu lado hoje. Teria outra profissão, e também sei lá como estaria me sentindo hoje em relação a ela. Como eu disse no post anterior, o destino é algo que você não pode discutir o que passou, mas você pode mudar. Cedo ou tarde, por decisões "erradas" que você acha que tomou. Além das pessoas que estão à minha volta na minha vida pessoal, tenho pelo menos 200 pessoas que "dependem"de mim, que não posso simplesmente dizer: "Tchau, estou indo viver minha vida estou indo buscar meu caminho que eu nem sei se é este!". Se teve um valor que eu aprendi em casa foi a responsabilidade. Responsabilidade de terminar o que comecei, de não "pisar"nos outros para seguir meu caminho, se não prejudicar ninguém que tenha de alguma forma "acreditado"em mim...

Minha cabeça está uma confusão. Hoje, na volta do trabalho, vim exatos 41km chorando sem parar. Chorando de raiva de mim mesma por tomar uma decisão que afete tanta gente mas agora eu PRECISO disso pra ser feliz , chorando por ter feito uma escolha profissional tão errada e só ter tido coragem para mudar depois de QUINZE anos, chorando por ver que os problemas do meu quadrado são tão pequenos perto dos de algumas pessoas que convivem comigo, chorando porque gostaria de evitar que a Duda passasse por frustrações assim na vida mas sei que elas serão necessárias pro crescimento dela. Chorei porque fiz com que algumas pessoas muito importantes na minha vida, acreditassem e investissem em mim, e de alguma forma, gostaria de recompensá-las por isso.

Cheguei em casa, fui pro quarto da Duda, e pedi muito a Deus, que a guie pelo caminho certo na vida. Frustrações, tristezas, dissabores, todo mundo tem. Não quero que a vida dela seja perfeita, mas quero poder tentar ajudá-la a seguir um caminho independente do que nós, eu e o Fábio, pensemos...Quero que ela ligue menos para o que as pessoas achem dela e seja autêntica. Quero que ela escolha uma profissão que a permita ser feliz e, ao mesmo tempo, possa conquistar as coisas dela com as próprias pernas. São as poucas coisas que desejo... Ela já teve a "sorte" de nascer num quadrado que pode proporcioná-la mais chances... E, de verdade, quero de alguma forma, poder mostrar isso a ela muito antes do que eu aprendi...


domingo, 8 de julho de 2012

"AQUELA COISA CHAMADA SAUDADE..."

Acho que não existe uma coisa mais dolorida que saudade.Saudade de amigos, de família, de situações,de épocas vividas, e, por incrível que pareça, até mesmo de coisas que eu não vivi.

Esses dias, conversando com o Fábio sobre como nossa vida mudou depois da Duda, ele me disse uma frase, que, a princípio, até concordei, mas por algumas situações que passei essa semana, percebi que não é bem assim. Ele disse:"Foi bom termos aproveitado muito, porque só podemos ter saudade daquilo que já vivemos". Em parte isso é uma verdade, mas por outro lado, sabe aquela coisa que você espera, cria na sua cabeça como vai ser,e de repente, ela não acontece? É disso que estou falando: saudade da expectativa que você criou e não aconteceu...

Semana passada, um amigo meu da 8 série, postou essa foto:


Faz muito tempo! E lembro como se fosse hoje de cada uma dessas pessoas. A maioria se perdeu no tempo, ficamos anos sem ter notícia uns dos outros,e aí, pelo Facebook, nos achamos.É engraçado isso, né? O Fabio sempre fala que as amizades são cíclicas, que uns vão, outros vem, e poucos ficam. Eu sempre me recusei a aceitar essa teoria dele, mas é a mais pura verdade...E não é porque não queiramos que as pessoas permaneçam nas nossas vidas.É pura e simplesmente, pelo movimento da própria vida.

Eu não sei se é porque moramos em São Paulo, mas impressão que dá é que nunca temos tempo para nada. Não temos tempo para ver os amigos, para dar um telefonema, para levar o filho no Zoológico, para ir ver a família.Com o celular então, parece que todas essas coisas tornaram-se totalmente "supérfluas". Como eu tenho saudade de quando entrei na Faculdade e as minhas amigas de Brasília me escreviam cartas que guardo até hoje... 



E aqui nessa cidade louca, nesse corre-corre, passa um ano e você se dá conta que aquela amiga querida, que você fala quase todos os dias por mensagem, whats app, Facebook, que mora ao lado da sua casa, você não viu o ano inteiro...E assim a vida vai passando e a impressão que dá é que estamos acompanhando de fora, como num cinema, a nossa própria vida passar.

Há muitos dias, quando vou colocar a Duda para dormir, fico olhando pra ela, e já tenho saudade dessa fase que ela está. Num piscar de olhos, quando a gente menos esperar  ela vai estar enorme, indo pra balada, ou não rs, nem querendo mais dormir em casa, achando um "mico"dar um beijo na gente na porta da escola...



Sinto falta da minha mãe, com quem falo religiosamente todos os dias, mas não está fisicamente aqui ao meu lado... E, às vezes, um colo de mãe faz tanta falta... Saí de casa com 18 anos e não voltei mais. Quando ela falava sobre a saudade que tinha de mim, que telefonemas diários não eram suficientes para abrandar a falta, eu achava bobagem...Mas hoje, de verdade, meu maior desejo é que ela pudesse morar perto de mim...




E a ausência do meu pai... Essa é uma saudade que dói, que não passa, que apenas me acostumei com ela... Eu não tinha com ele a amizade que tenho com a minha mãe, mas ele tinha o jeito "Marcelo Viana" de ser, que faz muita falta. Engraçado, "piadista", tinha umas tiradas que só ele sabia fazer...



Tenho saudade até de quem está todos os dias ao meu lado. Pela correria, a Duda, coisas importantes pra fazer, o cansaço, o trânsito caótico, deixamos às vezes de lado, as coisas mais simples e gostosas da vida: sentar no sofá, tomar um vinho, conversar, perguntar como foi o dia, jantar à mesa (!). Há alguns dias estabelecemos uma regra em casa: pegar no telefone o mínimo possível depois que passamos da porta de entrada. Senão, fica cada um no seu mundo virtual e esquece do real. E nisso, pegamos muito um no pé do outro. Na verdade, mais o Fábio no meu que eu no dele. Tenho saudade das coisas boas que já vivemos, das viagens que fizemos, das corridas que podíamos fazer juntos (afinal, nos conhecemos por causa dela), mas como ele mesmo diz: "Ainda bem que fizemos tudo isso porque só assim podemos ter saudade". Hoje a nossa vida é muito diferente em função da Duda, mas muito mais colorida também. Acho que os filhos mudam o casamento pra melhor: mais companheirismo, mais cumplicidade (mais!!), muito mais amor. Quanto ao resto - as baladas, as viagens, as saídas - ainda estamos tentando nos adaptar, pela opção que fizemos de não ter uma babá. E não me arrependo nenhum minuto dessa escolha que fizemos.



Tenho saudade de todos os meus amigos: os que estão perto, os que estão longe, aqueles com quem só falo uma vez por ano, mas parece que nunca deixo de falar. São pessoas tão importantes na minha vida e que tenho "raiva" de mim mesma de deixar tanto tempo passar sem encontrá-los.

Ontem eu perdi uma amiga muito, mas muito querida. Pelo movimento da vida. Tínhamos várias coisas planejadas juntas, que esperávamos há muito tempo que acontecesse. E essas coisas que não aconteceram, vão deixar saudade. Ainda bem que desde o acidente que sofri quando eu estava grávida, eu procuro, sempre que tenho vontade, dizer às pessoas que estão ao meu lado, o quanto eu as amo. E com ela não foi diferente. Vai fazer uma falta gigante. Estou com um buraco no meu coração, mas cada dia mais, penso que Deus, o Universo, ou quer que seja que as pessoas acreditem, faz as coisas acontecerem da forma que tem que ser. E não cabe a mim, discutir essa coisa doida que se chama destino... 

Um dia li um texto perfeito sobre saudade, e um trecho é este:

"Saudade é temer a vinda do novo e teimar em achar que o velho sempre será a melhor parte dessa obra de arte, chamada vida." (o texto é maravilhoso, e está na íntegra, aqui )



terça-feira, 26 de junho de 2012

OS 25KM DA MARATONA DE SP

Como contei no post passado, o foco agora é a Maratona de Chicago. A planilha está indo de vento em popa! No sábado do dia 17/06, o meu treino eram 24km. No meio da semana, recebo um email do Miltinho, meu treinador, me perguntando se não gostaria de fazer os 25km da Maratona de SP. Detalhe: com ele me puxando.

Falando assim, parece fácil, mas o Miltinho é um corredor NATO. Tem maratona pra 2h49min, e ele me puxar, foi o mesmo que ele dizer: "Você vai morrer!". Tenho dois grandes amigos corredores, a Ju e o Frots, e, nas nossas brincadeiras, criamos a ZV ( zona de treinamento "vomitando") - rs. Pois com certeza, essa seria a zona de frequência da prova. Como adoro um desafio, mesmo morrendo de medo, resolvi aceitar. Mas antes de aceitar efetivamente, eu ainda tinha um segundo "probleminha": tinha que perguntar ao Fabio, se ok ele ficar com a Duda praticamente o dia todo, já que a chegada dos 25km eram na USP e eu não sabia como ia embora. Pra variar (amo), "Fabim" concordou e aí sim, pude dar a certeza pro Miltinho.

Um aluno dele conseguiu as inscrições em cima da hora ( que, diga-se de passagem, também corre muito), e, lá fui eu pro primeiro desafio do ano. Por causa desse aluno do Miltinho, largamos simplesmente, ATRÁS da elite! Uma coisa de louco! Aqueles caras que sonhamos  ver de perto, que correm a pace de 3:00 km/min, estavam bem ali, na minha frente. Além de mim, do Miltinho e do Mário, largaram conosco o Frots e a Isa - que tinha uma meta parecida com a minha (2h10min), por isso resolvemos ir juntar, para uma puxar a outra.

A meta do Miltinho para mim, era um pouco mais ousada: ele queria que eu fechasse os 25km em 2h05min! Saímos muito bem, porque não pegamos todo aquele "trânsito" de gente de uma prova como a Maratona de SP e já encaixamos o ritmo que ele queria. Confesso que nos primeiros km ainda olhava o Garmin, mas depois desencanei, porque ele e o Mario estavam verdadeiros relógios me puxando.

A prova foi TOP demais!!! Se eu fosse muito rica, ia sempre levar um "coelho"comigo rssss. Não me preocupei em pegar água, em jogar água na cabeça, em pegar gel. Estava a própria celebridade escoltada pelos dois! No km18, começaram as dores típicas de quem vai "quebrar", mas eles não me deixavam diminuir. O Mario me perguntou qual era meu recorde de meia maratona, e disse a ele que era 1h47min. Então ele me disse: "Você vai bater seu recorde de meia!! Vai passar pra 1h44min!!". A prova nem eram 21km, mas quando ele me disse isso, olhei no Garmin e vi que faltavam 800m para os 21, dei um gás, sabe lá Deus como e passei os 21km para exatamente 1h44min05s!!!!!

Dali pra frente, o que eu fizesse era lucro, mas sabia o plano que o Miltinho tinha pros 25km... Eu estava TODA travada, mas me veio à cabeça o treinamento, a fisio com o David Homsi , o Fabio cuidando da Duda. Ali não eram SÓ 25km... Era muita coisa envolvida. E fui... E quando faltavam 400m, que eu não tinha mais perna pra correr, o Miltinho e o Mario começaram a gritar: "Vaaaiiii, vaiiiii Debs!!". E quando passou o pórtico, que eu olhei pro Garmin: 2h05min49s!!!! E olho pra frente, quem está ali? Meu fisio, o David! Aí não deu pra segurar a choradeira, né?! E já emendou num telefonema pro Fabio para contar do tempo!

Foi uma prova muito especial. Além de terminar no tempo planejado, pude ver com quantas pessoas posso contar! Quem diz que corrida é um esporte individual, está muito, mas muito enganado! Outra prova disso que estou falando, veio duas horas depois, quando terminamos a maratona com a Renata, uma amiga muito especial!

Ainda faltam quatro meses para a maratona, sei que tem chão, mas me sinto cada vez mais bem preparada para esse desafio gigante que vem por aí...

A META ATINGIDA!!!
À ESQUERDA O FROTS E À DIREITA O DAVID HOMSI


OS AMIGOS MARA QUE A CORRIDA ME TROUXE!

DA ESQUERDA PARA A DIREITA: ISA, RÊ, EU, MILTINHO E DANILO

DUAS PESSOAS QUE EU AMO E PONTO. JU E FROTS!

A RAZÃO DE TUDO NA MINHA VIDA <3

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A PRIMEIRA MEIA MARATONA DEPOIS DA DUDA!

Esse post, na verdade, era para ter sido escrito em novembro do ano passado. Queria ter aproveitado toda a sensação maravilhosa depois da prova pra escrever, mas não deu. Confesso que dei uma desencanada do blog, porque, na verdade, ele foi feito pra compartilhar as experiências de uma corredora grávida,né?

Mas, esses dias, recebi um email muito fofo, de uma "amiga virtual" do sul, que também correu a gravidez toda, me disse que o blog tinha sido meio que uma "fonte de inspiração" para ela correr e me perguntou o porquê de eu ter parado de postar. Não só dela,mas recebi alguns emails ao longo desses meses, me perguntando se eu já tinha voltado a correr, como estava conciliando com a vida de mãe,enfim...

Acho que até pelo meu momento atual, seja legal eu voltar a postar novamente. Depois da meia de Brasília, tive uma fratura por stress, já me recuperei e já estou em pleno treinamento para a maratona de Chicago! A primeira maratona, enfim, não parece mais um sonho tão distante.

Mas primeiro, vamos a Brasília. A meia foi dia 6 de novembro. Voltei a treinar a corrida com assessoria, em agosto, então, não tinha tanto tempo assim pra me preparar, e ainda tinha o "agravante" de estar 4 kg ainda acima do meu peso de quando engravidei. Meu treinador me explicou que mesmo eu tendo uma boa base, seria um treinamento duro, porque tínhamos pouco tempo e eu esta há quase sete meses sem correr.

Para treinar pra essa meia, os treinos foram divididos em duas vezes por semana na esteira e um longo no sábado na USP. Eu odeio correr na esteira, mas, como não temos babá, os dois fazem academia, os dois correm, tem o trabalho, etc, tivemos que fazer um revezamento por aqui. Então, as terças e quintas eram os meus dias de treinar. O porém, é que eram só esses os dias que eu dispunha pra isso, então, além da corrida neste dia, tive que conciliar a musculação. Para isso, acordava as 4:30 da manhã, para chegar na academia às 5, correr até às 6 e fazer musculação das 6 às 7. Juro que foram três meses sofridos, porque meu corpo não estava acostumado com esse novo horário, e, vamos combinar, que isso é uma "agressão" ao corpo, a não ser que você consiga dormir às 8 da noite ( o que, definitivamente, não era o caso aqui rs).

Mas, eu além de ser disciplinada, sou muito competitiva comigo mesma, sabia que mesmo que "MORRESSE", iria treinar pra essa prova.

Não tenho como não falar do apoio incondicional do Fabio. Quando decidi fazer essa prova, ainda amamentando, ele me disse: "Vamos nos virar pra você fazer essa meia". E assim mesmo foi. Como disse antes, ele também corre, e também iria fazer a meia de Brasília comigo, então, ele também tinha que treinar. Durante a semana ok, porque revezávamos os dias, mas o sábado chegava a ser engraçado. Eu ia pra USP antes, às 5:30, fazia meu longo, e quando terminava, lá estava ele chegando com a Duda e toda a sua parafernália. Aí, ele ia correr, e eu ficava andando com ela de carrinho pela USP. Toda essa operação de guerra, que começava às 5 da manhã, só terminava lá pelas 11, hora que chegávamos de volta em casa.

E, finalmente, chegou o dia da prova. O dia estava lindo, vários amigos foram também pra fazer essa meia, e o percurso era muito favorável a um tempo bom: os sete primeiros km de descida. Eu, quando estou numa prova, me deixo contagiar pela adrenalina. Saí "apavorando" na largada e ouvi o Fabio gritar: "Vai devagar, senão você vai quebrar!". Você acatou? Nem eu! kkkkkkkkkkk

Os doze primeiros km fiz muito forte. Encontrei um amigo que estava a mais de 12km/h, e assim fomos juntos até o 12km. Mas aí - rsrs- as descidas acabaram, e começou uma subida chata, que diminuiu muito meu ritmo. Confesso que no 18km, olhava para os lados procurando uma ambulância - kkkkkkkkk -, e ainda bem que não achei nenhuma!

No 20km, váááários amigos gritando, incentivando e aí não deu pra segurar o choro. Fui chorando do 20 ao final, compulsivamente, passando um filme do último ano da minha vida na minha cabeça, de como ela tinha mudado com a Duda, e, de como tínhamos nos adaptado a essa nova realidade. Chorei de felicidade, de saber que o que muitos falavam pra mim - de que ter a Duda ia me impedir de correr pela loucura da rotina- não era verdade, chorei por ter um marido tão companheiro e participativo, que não só me apoiou com palavras, mas também com atitudes, muitas vezes abdicando de treinos dele pra que eu pudesse treinar. Pra coroar ainda mais essa meia tão especial, bati meu recorde em 21km: terminei a prova em 1h:47min!!!

Enfim, essa meia foi muito especial, porque marcou não só meu retorno às corridas, mas também a certeza de que estamos fazendo a coisa certa: desde o início não quisemos babá, quisemos curtir cada momento, participar de cada conquista dela, e para isso, precisamos abrir mão sim, de coisas como a balada - que adorávamos- mas não de uma vida saudável e da corrrida, que sempre amamos.

O combinado depois da meia foi: 2012 eu faria Maratona de Chicago e em 2013 será o ano do Fabio treinar pro Ironman de 2014. Mas esses já são assuntos pra outro post!

PS: a camiseta aí da foto, mandei fazer especialmente para essa prova. Não teria como não deidcar esses 21km aos dois amores da minha vida! (camiseta feito pelo Augusto, da vamos correndo.)




Na largada
Com os amigos antes da largada!


O sacrifício...

 



O choro...
A recompensa...

E essa medalha foi pra ela...




quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

DUDA E SEU PRIMEIRO ANINHO...

Meu amor,

Dia 09/01, fez um ano que você, apressadinha como a mamãe, resolveu vir ao mundo. Lembro-me como se fosse hoje, que era um sábado, estava completando 35 semanas e fui fazer um ultrassom às quatro da tarde. Eu amava fazer os ultrassons, porque era a única chance que tinha de ver sua "carinha". Neste ultra, a médica nos disse que estava tudo ótimo, liquido normal, tirou várias fotos suas, saímos de lá super tranquilos. Fomos jantar na casa de uns amigos, e, bem na madrugada - acho que você será baladeira- a bolsa estourou.

E você veio. Veio para mudar de vez as nossas vidas.

Derrubou um muro de concreto que vivia há alguns bons anos em torno do seu pai, tirou momentaneamente todo o medo que ele tem de sangue, o fez MAIS companheiro da mamãe, cúmplice e amigo. É tão vivo na minha memória, quando ainda estávamos no hospital, e ele dormia lá comigo, cada vez que as enfermeiras vinham me acordar, ele me dava um beijo e dizia: "Vai lá bebeh, se pudesse te ajudaria nisso". Ele não podia te dar o "mama"minha filha, mas ele te deu banho, trocou suas fraldas, levantou de madrugada para cuidar de você, e, quando mamãe estava muito cansada, dava seu leite na mamadeira pra você dormir.

Em mim, você despertou o instinto de leoa, que faz tudo pela sua cria. Despertou qualidades na mamãe que eu nem sabia que existiam. Me fez mais paciente, mais organizada, mais consciente. Me fez enxergar o quanto eu ainda preciso melhorar como ser humano para te dar uma boa educação, uma boa formação. Me fez enxergar alguns "defeitos" que quero mudar antes que você cresça. Não quero ser a mãe perfeita, mas quero ser a melhor que eu puder.

A melhor escolha que fizemos, sem dúvida, foi não ter uma babá. Hoje sabemos reconhecer cada choro seu, cada gesto. Sabemos que quando você pega seu paninho, coça a orelha e faz um "auto- cafuné", é porque está com sono; que quando vê seu pratinho laranja na cozinha e chora, é porque está com fome; que quando estende os dois bracinhos pra cima, é porque quer nosso colo; que quando chora dando aqueles gritos estridentes é porque está lutando contra o sono; que adora engatar a "primeira" e sair engatinhando que nem uma doida atrás de nós... Sabemos o dia que nasceu seu primeiro dentinho, quando você esboçou engatinhar pela primeira vez, quando deu seus primeiros passos segurando nas nossas mãos. Você fica horas vendo a roupa girar na secadora, é encantada com celular, adora bater o talher na tigela de por gelatina. Faz uma verdadeira bagunça com os dvds na sal. A graça e tirar todos eles da prateleira e jogá-los pro alto... Você amaaaa brincar de "se joga"com o papai... Só precisa aprender, meu amor, que essa brincadeira, é só quando está com ele, porque agora você quer se jogar em qualquer lugar, e, por conta disso, já bateu a cabeça no chão algumas boas vezes rsrsrsrs. Você bebe muita água, come de tudo , faz sucesso na feira, não estranha as pessoas. Adora dormir com a musica da borboletinha, e agora só dorme de bumbum pra cima - juro que queria saber como você consegue essa proeza. Anda fixada por tomadas, gavetas e pelo Nick.

Aliás, o Nick é um capítulo a parte na sua vida. Primeiro vocês não se davam conta da existência um do outro. Depois, rolou uma indiferença mútua, mas agora, você está apaixonada por ele e ele nem aí pra você. Acho que ele não gosta muito quando você enfia o dedo no olho dele toda vez que chega perto. Mas isso vai passar. Já ensinamos a você como faz carinho e você rapidamente aprendeu... Torço pra que você seja muito carinhosa!

Seu pai, esses dias, deu a melhor definição do que é o amor que sentimos por você. Ele disse: "O que eu senti até hoje, foi um espasmo de amor. Por ela, é amor de verdade". Jamais poderíamos ter passado nesta vida sem ter você.

Feliz aniversário, Pituca. Que deus te conserve sempre alegre, com esse sorrisão no rosto, e nos dê muita saúde pra te guiar pelo melhor caminho.

Amamos você,

Papai e Mamãe



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Vendo coisas e pensando....

Minha filha, este post é para você. Estava aqui trabalhando, mas dei uma paradinha, porque precisava deixar isso registrado para você ler um dia.

Ontem, lá no trabalho da mamãe, aconteceu uma coisa muito chata. Aliás, não foi ontem. Já acontecia há algum tempo, mas repete-se tanto, que ontem, voltando para casa, fiquei pensando que algumas coisas vem da educação que recebemos em casa.

Acho que tem coisas que vem desde pequenininha. Quando a mamãe era criança, Vovó Vera nunca deixava que ela faltasse às aulas porque estava chovendo ou porque estava frio. Aliás, era difícil mamãe não ir à escola. Só se estivesse muito doente mesmo. E isso ficou na minha cabeça, e graças a Deus, eu trouxe pra minha vida. Desde que me formei, sempre trabalhei muito tempo nas clinicas e faltei quase nada. Conto nos dedos as vezes que fiz isso.

Mas sabe minha filha, vejo que nem todas as pessoas são assim. Ou melhor, muito poucos agem desta forma.

Quero poder te ensinar o que é comprometimento, pontualidade, responsabilidade. Te mostrar o que é trabalhar em equipe - afinal, a família já é uma - e que, falar a verdade, é sempre a melhor pedida. Não que sua mãe seja a rainha da perfeição, nunca tenha mentido, mas a vida nos mostra que dizer a verdade sempre vai nos levar pelo melhor caminho. Quero poder te mostrar como separar os problemas da sua vida pessoal da profissional. Quando sabemos fazer isso, nos tornamos profissionais e pessoas muito melhores.

Não quero ser uma mãe, como algumas, que acobertam atitudes erradas dos filhos. Quer mentir? Ok, mas não me leve junto. Quer faltar ao trabalho porque está com preguiça? Ok, mas não me peça para te encobrir.

Você vai aprender que, quando estiver na escola, é mamãe que vai ligar para a coordenadora, avisando que você não vai porque está doente; mas, quando for uma ADULTA e estiver trabalhando, não é mais a mamãe que vai  fazer isto por você.

Vai aprender que quando se trabalha em grupo, um depende do outro. Não adianta um ou dois se esforçarem e os outros não fazerem nada. E, infelizmente, ou, felizmente, trabalhar em equipe é o jeito mais fácil de crescermos como pessoa, seja na escola, no trabalho, ou num grupo de amigos.

Mamãe quer te mostrar também, que ser política, é bem diferente de ser dissimulada. Ser política, é sempre usar de diplomacia com todos em quaisquer situações. Isso vai te ajudar muito, minha filha, em qualquer profissão que você vá seguir, em qualquer ambiente que você vá viver. Ser dissimulada é você ser falsa, mostrar ser uma coisa que você não é, fazer coisas que agradem às pessoas porque isso pode te trazer alguma vantagem, e pelas costas agir de outra forma.

Isso tudo faz parte de crescer, de se tornar independente, de ser uma adulta. Assumir as consequências dos seus atos.

Crescer não é fácil, minha filha. E crescer com um caráter formado, sabendo discernir o certo do errado, o bem do mal, o que pode prejudicar alguém do que não pode, a mentira da verdade, é responsabilidade nossa. Minha e do seu pai.

Educar alguém é uma tarefa muito difícil, mas, graças a Deus, seu pai e eu, temos valores e pensamentos muito parecidos para transmitir pra você.

Te amo

Mamãe.